Jerônimo Mendonça Ribeiro

Jerônimo Mendonça Ribeiro foi um grande trabalhador espírita, conferencista e escritor, que, junto com seu amigo Chico Xavier, que trabalhou por causas sociais e a divulgação da doutrina espírita. Apesar de estar paralisado em uma cama ortopédica e cego, Jerônimo Mendonça trabalhou arduamente pelo ideal espírita, razão pela qual passou a ser conhecido como O Gigante Deitado.

Vida e obra
Jerônimo nasceu na cidade de Ituiutaba (Minas Gerais, Brasil) no seio de uma família com grandes dificuldades materiais e teve uma infância normal.
Até os 15 anos, Jerônimo frequentou a Igreja Presbiteriana, onde dava conferências. No entanto, após a morte de sua avó materna, sentiu a necessidade de aprender mais sobre a vida de além-túmulo. Foi então que conheceu a doutrina espírita, da qual se tornou adepto e começou a organizar reuniões e eventos dirigidos aos necessitados.
Aos 17 anos, quando demonstrava ser um bom jogador de futebol, começou a sentir os sintomas da doença que acabaria por adversário: a artrite reumatóide. Aos 19 começou a usar muletas e, ao não encontrar cura na medicina, deixou de trabalhar. Assim que, pouco a pouco, passou a uma cadeira de rodas e, em seguida, a uma cama ortopédica. Além disso, foi perdendo a visão e teve problemas de coração. Apesar das grandes dificuldades, sempre manteve o ânimo e aconselhou milhares de pessoas que vieram a ele em busca de conselho. Viajou por todo o Brasil graças a uma cama anatômica desenvolvida para ele (uma cama ortopédica).
Escreveu os livros: Crepúsculo de um coração, Cadeira de rodas, Após as pegadas de um anjo, Escada de luz, a mão De Jesus e Quatorze anos depois (em co-autoria). Deixou notas que foram organizadas por Maria Gertrudes no livro póstumo FLORES DO CORAÇÃO;
Fundou o Lar Espírita "Pouso do Amanhecer", creche para crianças carentes em Ituiutaba. Construiu o Centro Espírita Seareiros de Jesus, o Centro Espírita Manoel Augusto da Silva, em campo, uma impressão e uma biblioteca. Depois de 50 anos de profícua existência, este homem maravilhoso, que só fazia o bem aos seus semelhantes, desencarnou quando tinha dor e não reclamava. O gigante mentiroso", apelido que lhe deram os seus amigos e a imprensa, é o título do livro compilado por Jane Martins Vilela. Dele extraímos o seguinte texto expressivo:
"Eu imagine, leitor, um homem completamente paralítico, na cama há mais de 30 anos, sem poder mover o pescoço, cego há vinte anos, com terríveis dores no peito, necessitando o peso de quilos de areia para suportar essas dores! Este homem resignado e sereno, viajou por todo o Brasil dando palestras, cantando, consolando e guiando a centenas de pessoas".
Curiosidades
Em uma ocasião, enquanto ela estava em um cinema, uma menina tropeçou em sua cama e "explodiu": "Mas não é possível! Onde quer que você vá, ai está o aleijado! Se vou a uma festa, lá está o aleijado. Isso disabled me persegue! Onde quer que você vá, você está lá!". Jerome pensou: "E agora? A menina está brava, muito nervosa. Eu tenho que dar uma resposta, mas não quero disgustarla ainda mais. O que posso dizer?". E saiu isso: "Mas tudo bem, minha filha, tu não ficas em casa, né?". Ela olhou para ele espantado e começou a rir. Riram juntos. Eles Se tornaram amigos.
Os detalhes de sua carreira podem ser encontradas em sua biografia JERONIMO MENDONÇA, SUA VIDA E SUA OBRA, escrita pela médium Maria Gertrudes.
Permaneceu na cama perto de trinta anos, paralisado e com o agravante da perda de visão. Apenas dormia e aproveitava para estudar muito o Espiritismo. Quando ficou cego, seus amigos lessem. Nunca lhe faltaram bons amigos. Mas uma vez, um jornalista lhe perguntou o que era a felicidade. Ele respondeu: "A felicidade para mim, deitado nesta cama durante tanto tempo sem poder me mexer, seria poder ficar de lado". Em outra ocasião, disse: "eu Me casei com a Doutrina Espírita em termos civis e com a dor em termos religiosos".
Dois meses antes de falecer, o falecido cohermano de Minas Gerais expressou seus pensamentos sobre a pena de morte, a fé, a dor, a vivência do Evangelho, os vícios e a felicidade.
Entrevista com Jerônimo Mendonça
Dois meses antes de sua morte, em setembro de 1989, Jerônimo estava em Votuporanga, no interior do estado de São Paulo, para dar palestras no Centro Espírita Emmanuel e no Centro Espírita Humberto de Campos, quando nos concedeu a seguinte entrevista:
– Jerônimo, na sociedade brasileira em geral, há um grande descrédito para a administração pública, desesperança no quadro social e indiferença no tratamento dos valores nobres da vida. Por que isso acontece?
Jerônimo Mendonça – Sem dúvida, é o resultado de uma transição que o planeta está vivendo. E o Brasil não poderia ser diferente, dadas as circunstâncias, as provas por que todos temos que passar. Mas temos que acreditar em um amanhã melhor, a confiar nas pessoas verdadeiramente boas, que sabem que tudo isso vai passar, deixando-nos o resultado benéfico de uma experiência. Ao fim e ao cabo, a vida é uma escola permanente de exemplos constantes, e os espíritas, temos que ver esta transição com os olhos do otimismo postos no futuro. Hoje há dificuldades, recuos, inversão de valores, violência e desamor, mas amanhã, reinará a paz e a esperança. Goste-se ou não, o Brasil será o Coração do Mundo e Pátria do Evangelho.
– Nunca se falou tanto da pena de morte no Brasil como hoje. Há movimentos de pressão que pedem a pena de morte para os criminosos mais graves. Como o que você vê?
JM – nós Sabemos perfeitamente que a violência não se extingue com a violência. É como tentar apagar um incêndio com lenha. Para nós, a pena de morte seria um retrocesso, principalmente para nós brasileiros, que somos um povo pacífico por natureza. E um dos mandamentos da Lei de Deus é muito claro e imperativo: "Não matarás". Assim que a violência não vai resolver o problema da violência. Rezemos para que este processo de ideias filmes não alcance as emoções e a razão de as pessoas de bem, porque, apesar de todos os pesares, o amor é o grande caminho para a felicidade humana.
– Como devem se posicionar os cristãos que realmente querem contribuir para o estabelecimento de uma nova ordem social na Terra?
JM – Cumprindo dignamente com os nossos deveres. Sendo fiéis aos nossos postulados, com maior espírito de desprendimento e abnegação pela causa humana e social. Sabendo-se que o aluno de hoje deve refletir o retrato vivo do Mestre de todos os tempos, que sabia que a forma mais perfeita de se integrar com Deus e com a felicidade perfeita é através do dever cumprido. Que cada um de nós saiba cumprir com o seu dever no seu posto de trabalho, e esse é o resultado da vitória.
– Jerónimo, se já temos notícia de que as indispensáveis ensinamentos de Jesus, por que nos custa tanto vivê-las?
JM – É porque nós temos o Evangelho mais na mente do que os sentimentos. Ainda vive mais na esfera mental, o raciocínio, que dentro do coração, como renovação. Mas chegará um momento em que todos nós, olhando para o panorama do passado, essas almas verdadeiras que fizeram de tudo para estabelecer o cristianismo nascente, suportando incêndios, as bestas-feras e tantas calamidades que a história registra, possamos olhar nesse espelho do passado, para ter a dignidade espiritual do presente e saber dar testemunho de Jesus em todos os aspectos da vida.
– Como a dor e o sofrimento são criações de Deus?
JM – Nunca. Deus, em sua infinita perfeição e bondade, nunca criaria sofrimento para seus filhos. O sofrimento e a dor são desvios do livre arbítrio do homem ao longo dos milênios. Toda atitude nossa contrária às leis de amor de nosso Pai significa sofrimento em nós. Deus não castigaria a humanidade com a fome, a miséria, a dor física e a dor moral. Somos nós que criamos esta situação cármica. Toda semeadura errada leva a uma colheita inexistente).
– Jerônimo, o que poderia dizer para os pais que, desesperados, notam que seus filhos transitam pelos caminhos obscuros da vida, perdendo-se em fantasias e vícios?
JM – Mais amor para essas crianças, mais compreensão das dificuldades psicológicas e os processos obsessivos que, às vezes, governam as mentes jovens. O Espírito volta à reencarnação trazendo tendências não resolvidas do passado e às vezes não encontra um lar que esteja tão bem estruturado evangelicamente; assim, em vez de que essas tendências sejam combatidas, são alimentadas por exemplos ainda defeituosos de seus próprios guardiões espirituais. Por isso, paciência, fé, muita dedicação, muita capacidade de perdoar e entregá-los a Deus, sem deixar o barco na mão.
– Jesus disse que quem tivesse fé do tamanho de um grão de mostarda pode carregar montanhas. Nos perguntamos: o Que significa ter fé?
JM – A fé, segundo o Espírito Emmanuel, é uma visão da vida, a lógica da vida. O agricultor sabe que a semente está o embrião da árvore de amanhã, mas se você não tem fé na sua própria certeza de que a semente dá, essa semente vai continuar sendo apenas um embrião. Assim, a fé não vem por osmose, é uma conquista feita por cada pessoa, no tempo e no espaço, e dentro da Doutrina Espírita esta fé perde seu caráter místico para se tornar uma fé eminentemente racional. É saber de onde viemos, o que fazemos, o que é a vida, e para onde vamos. É ter um senso de direção e de caminho: isso é a fé.
– Jerônimo, como podemos encontrar a felicidade que tanto almejamos?
Jerônimo Mendonça – A felicidade é uma troca, o amor é fusão. Ninguém pode ser feliz no egoísmo, no exclusivismo, a marginalização de uma situação, seja qual for. A felicidade é participação, é improvisar a felicidade dos outros, porque é dando que se recebe.
Jerônimo Mendonça Ribeiro desencarno de 26 de novembro de 1989, em Ituiutaba – Minas Gerais.


