
O que é espiritismo?
O espiritismo é uma ciência que explora a natureza, a origem e o destino dos espíritos, bem como sua relação com o mundo físico.
Quando e em que circunstâncias ele foi criado?
O espiritismo é uma doutrina revelada por espíritos superiores com a ajuda de médiuns. A doutrina espírita consiste em princípios filosóficos, científicos e religiosos e foi escrita pelo educador francês Allan Kardec em Paris, em meados do século XIX.
Allan Kardec é um pseudônimo de Dénizard-Hippolyte-Léon Rivail, nascido em 3 de outubro de 1804 em Lyon (França).
A doutrina espiritualista é composta por:
O Livro dos Espíritos
O Livro dos Médiuns
O evangelho segundo o espiritismo
O Céu e o Inferno
A gênese
Revelações espirituais na história humana.
Revelação significa o levantamento de uma cobertura ou véu, ou a revelação de coisas mantidas em segredo. As leis divinas são reveladas aos seres humanos de acordo com seu nível de entendimento e sua capacidade de compreender as verdades reveladas. De tempos em tempos, os Espíritos Superiores revelam aos seres humanos os princípios fundamentais dos caminhos da virtude. Esses princípios nem sempre são aceitos ou reconhecidos por todos os seres humanos, justamente porque os seres humanos têm livre-arbítrio. As revelações ocorrem em momentos diferentes e são recebidas por povos diferentes por meio dos ensinamentos de profetas iluminados e mestres espirituais treinados. A experiência e a realização desses ensinamentos conduzem ao desenvolvimento espiritual dos seres humanos.
O que isso revela?
Ela revela percepções novas e mais profundas sobre Deus, o universo, o homem, os espíritos e as leis que regem a vida. Também nos revela quem somos, de onde viemos, para onde vamos, o propósito de nossa existência terrena e o significado da dor e do sofrimento.
O que ele abrange?
Ao trazer novas percepções sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo aborda todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento do homem e abre uma nova era para a renovação da humanidade. Ele pode e deve ser aprendido, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, como o científico, o filosófico, o religioso, o ético, o moral, o educacional e o social.
Os princípios básicos da doutrina espírita.
1) A existência de Deus, que é o Criador, a primeira causa de todas as coisas. A Inteligência Suprema.
2) A imortalidade da alma ou do espírito.
Os espíritos são os seres inteligentes do universo, criados por Deus para evoluir incessantemente até atingirem a perfeição e a felicidade absoluta. Como espíritos, existimos antes de nascermos e continuaremos a existir após a morte do corpo.
3) Reencarnação.
Criados de forma simples e sem nenhum conhecimento, os espíritos progridem coletivamente por meio de experiências que resultam em várias realizações. O progresso do espírito ocorre intelectualmente ou moralmente. Deus, em Sua sabedoria, nos concede o esquecimento do passado em cada reencarnação para que essa seja, de fato, uma oportunidade de recomeçar, especialmente para corrigir erros e recompor diferenças de opinião, de modo que nos tornemos cada vez mais identificados com as Leis Divinas, que são as Leis do Amor.
4) A capacidade de comunicação dos espíritos.
Os espíritos nada mais são do que as almas dos seres humanos falecidos, que, como tais, mantêm suas características, qualidades e defeitos individuais. Por meio de médiuns, os espíritos podem se comunicar com as pessoas se desejarem e tiverem permissão para isso.
5) A pluralidade de mundos habitados.
Os vários mundos espalhados pelo espaço infinito constituem as inúmeras moradas dos espíritos encarnados. Os estados desses mundos diferem de acordo com o grau de progresso ou inferioridade de seus habitantes. A doutrina espírita comprova a existência dos espíritos de forma convincente, apresentando provas irrefutáveis e baseando-se no fato de que o espírito passa por experiências sucessivas no curso de sua evolução, em diferentes corpos e em diferentes períodos de tempo.
Os pilares do Espiritismo
Aqui pretendemos apenas apresentar os principais pontos da Doutrina Espírita, os pilares fundamentais para a compreensão da vida, de onde viemos, para onde vamos, por que estamos aqui, etc. Talvez possa ajudar a todos os educadores, mães, pais e famílias espíritas.
Deus
Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. Ele criou o universo, que engloba todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
Espíritos
Os seres materiais formam o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espiritual, ou seja, o mundo dos espíritos. O mundo espiritual é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e que sobrevive a tudo. O mundo corpóreo é secundário; ele pode deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espiritual. Os espíritos estão temporariamente envoltos em um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte restaura sua liberdade. Entre as várias espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos espíritos.
A alma
A alma é um Espírito encarnado; o corpo é apenas seu invólucro. No homem há três elementos:
1º – Um corpo ou ser material análogo ao dos animais, animado pelo mesmo princípio vital;
2º – A alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3º – O elo que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito (...) O elo ou Perispírito que une o corpo ao Espírito é uma espécie de invólucro semimaterial.
A morte
A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O espírito retém o segundo, que constitui seu corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, mas que pode acidentalmente tornar-se visível e até mesmo tangível, como nos fenômenos de aparições. O espírito não é, portanto, um ser abstrato e indefinido, que só pode ser concebido em pensamento. É um ser real, delimitado, que em certos casos se torna perceptível à nossa visão, audição e tato.
Evolução dos Espíritos
Os espíritos pertencem a diferentes categorias e não são iguais em poder, inteligência, conhecimento ou moralidade. Os que pertencem à primeira ordem são espíritos superiores, que se distinguem dos demais por sua perfeição, seu conhecimento, sua proximidade de Deus, a pureza de seus sentimentos e seu amor ao bem; são os anjos ou espíritos puros. Os das outras classes estão cada vez mais distantes dessa perfeição, enquanto os das categorias inferiores, em sua maioria, estão contaminados por nossas paixões: ódio, inveja, ciúme, orgulho e assim por diante.
A reencarnação como uma ferramenta para a evolução
Os espíritos não permanecem perpetuamente em uma categoria. Todos evoluem à medida que passam pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esse aprimoramento é efetuado pela encarnação, que é imposta a alguns como uma expiação e a outros como uma missão. A vida material é um teste a ser suportado repetidamente até que a perfeição moral absoluta seja alcançada. Quando a alma deixa o corpo, ela retorna ao mundo espiritual de onde veio, para passar por uma nova existência material após um lapso de tempo mais ou menos prolongado, durante o qual permanece no estado de um espírito errante. Como o espírito teve de passar por muitas encarnações, isso significa que todos nós tivemos muitas existências e que ainda teremos outras mais ou menos perfeitas, seja na Terra ou em outros mundos.
A encarnação dos espíritos sempre ocorre na espécie humana; seria um erro acreditar que a alma ou o espírito pode encarnar no corpo de um animal. As várias existências corporais do espírito são sempre progressivas, nunca retrógradas; mas a rapidez de seu progresso depende dos esforços que ele faz para alcançar a perfeição. Os espíritos encarnados habitam os vários globos do universo. Os espíritos não encarnados ou errantes não ocupam uma região definida ou circunscrita. Eles estão em toda parte, no espaço e ao nosso lado, nos veem e convivem conosco continuamente. É uma população invisível que se move ao nosso redor.
Mediunidade
Os espíritos exercem uma ação incessante sobre o mundo moral e até mesmo sobre o mundo físico. Eles atuam sobre a matéria e o pensamento e constituem um dos poderes da Natureza, a causa eficiente de uma infinidade de fenômenos, inexplicados ou mal explicados até recentemente, que só podem ser racionalmente compreendidos por meio do Espiritismo.
As relações dos espíritos com os homens são constantes.
Os bons espíritos nos induzem a fazer o bem, nos sustentam nas provações da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação.
Os iníquos nos levam ao mal; eles se alegram quando nos veem sucumbir e nos tornar como eles.
As comunicações dos espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas são produzidas por meio da influência boa ou má que exercem sobre nós, sem que o saibamos. Cabe ao nosso julgamento discernir as inspirações boas das ruins.
Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou por evocação; são atraídos pela simpatia produzida pela natureza moral do ambiente que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem em reuniões sérias, nas quais o amor ao bem e o desejo sincero de instrução e aperfeiçoamento predominam naqueles que as compõem. A presença desses espíritos afasta os espíritos inferiores, que, ao contrário, têm livre acesso e podem atuar com total liberdade entre pessoas frívolas ou curiosas, bem como onde existam instintos perniciosos. Os espíritos superiores usam em todas as ocasiões uma linguagem digna e nobre, imbuída da mais alta moralidade. A linguagem dos espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, muitas vezes trivial e até grosseira.
Moralidade espírita
A moralidade dos espíritos superiores é resumida, assim como a de Cristo, nesta máxima do Evangelho: Faça aos outros o que gostaríamos que os outros fizessem a nós, ou seja, faça o bem, não o mal. Nesse princípio, o homem encontra uma regra universal de conduta que o guiará até mesmo nas menores ações.
Os Espíritos Superiores ensinam que, no mundo dos espíritos, onde nada pode ser escondido, o hipócrita será desmascarado e sua desonestidade será exposta; que a presença inevitável e contínua daqueles com quem erramos é uma das punições reservadas para nós; que os estados inferiores ou superiores dos espíritos correspondem a penalidades ou alegrias desconhecidas na Terra.
Eles também ensinam que não há falhas irremediáveis que não possam ser expiadas por meio da expiação. O homem encontra um meio de alcançar isso nas várias existências que lhe permitem avançar, de acordo com seus desejos e esforços, ao longo do caminho do progresso, rumo à perfeição que é seu destino final.