A verdadeira caridade, segundo o Espiritismo

Caridad: término tan usado en todas partes, pero aún tan incomprendido.
O que é a verdadeira Caridade, segundo o Espiritismo?
Para nós, espíritas, ela aparece em toda parte, em toda a literatura. Kardec fez dela uma base necessária para toda a felicidade, dizendo: “fora da caridade não há salvação”. A afirmação, é claro, nasceu de uma certa oposição ao dogmatismo religioso, que tentava proclamar que a salvação estava em todas as seitas, de forma exclusivista e até egoísta, mas continua sendo verdadeira, porque, sem caridade, não há amor ao próximo...
No entanto, o termo caridade passou a ter a conotação de assistencialismo, quase que exclusivamente, tornando-se sinônimo de doação material. Mas para que possamos realmente entendê-la no contexto espírita, precisamos voltar ao contexto de Allan Kardec na França, em meados da década de 1850:
É importante destacar que o termo caridade utilizado por Kardec, para o Espiritismo Racional, naquela época (diferente da definição atual do termo, próxima ao assistencialismo), representava o agir por dever, ou seja, de forma livre, consciente, intencional, independentemente de punições e recompensas, com plena compreensão da lei moral. A caridade é um princípio que orienta a ação integral do ser, e não uma atividade complementar, como se fosse uma conduta acessória. [...].
Paulo Henrique de Figueiredo – El legado de Allan Kardec
Vemos, assim, que a caridade, devidamente compreendida, deve ser o modo de ser, o modo de proceder, e não se limitar a ações isoladas que, muitas vezes, falam mais da necessidade de ser visto como uma “pessoa caridosa”, situação em que não há verdadeira caridade, mas apenas ego e vaidade. Mais do que isso, a caridade não se limita a doações materiais. Na verdade, eu diria que ela é, na maioria das vezes, o oposto da doação material, já que aqueles que doam materialmente, seja dinheiro, comida, coisas, geralmente o fazem como uma forma de alívio de consciência.
El mismo Cristo ejemplifica, en la “parábola del óbolo de la viuda”, que la verdadera intención, o, si se quiere, la fe, es la que más habla. Mucha gente dona dinero u otros recursos queriendo De Verdad haciendo el bien y, por supuesto, eso cuenta mucho. Pero cuántas veces nos limitamos a hacer una donación material, sin siquiera reflexionar sobre lo que estamos haciendo y sobre la situación real de esa persona que nos pide, en un acto [engañoso], casi siempre, de librarnos de ir más allá, o solo ¿Sentirse bien?
Vamos pensar: quantas pessoas usam as doações para, revendendo recursos, obter dinheiro para comprar remédios? Quantas pessoas, tendo recursos fáceis à disposição, se lançam nos piores vícios e desperdícios, cavando cada vez mais fundo no mesmo buraco em que estão se afundando? Será que doar regularmente para essas pessoas realmente ajuda a situação delas? Será mesmo que se os ricos simplesmente doassem suas fortunas, a miséria humana acabaria?
Não estou dizendo, de forma alguma, que não devemos doar recursos materiais; mas pensemos além disso, analisando cada situação e procurando ser fraternos com o irmão que nos procura, preocupados genuinamente com a situação dessa pessoa. Muitas vezes, uma simples pergunta como “Por que você está na rua, irmão? O que está acontecendo?” pode abrir caminho para um relacionamento muito mais frutífero que, não esqueçamos, beneficia ambos os lados.
O indivíduo que realmente quer fazer o bem não faz caridade uma vez por mês ou uma vez por semana: ele é gentil o tempo todo. E ser caridoso significa colocar os outros à frente de nossos próprios desejos e necessidades. Quantas vezes as pessoas que estão passando pelos momentos mais difíceis de suas vidas encontram forças para fazer caridade dando um sorriso a alguém que está chorando ainda mais?
Quando pensamos, portanto, em caridade, devemos necessariamente pensar em uma coisa: ir além dela. Se doarmos algo material, que isso seja apenas a porta para criar um vínculo e uma abertura para aprofundar o relacionamento com o irmão que pode estar sofrendo muito. Mas, acima de tudo, não nos esqueçamos de que a maior caridade que podemos fazer aos outros é levar-lhes amor, fé e conforto, especialmente por meio do exemplo de alguém que vive o que diz e não apenas como alguém que joga palavras ao vento.
É, portanto, uma espécie de caridade para com a humanidade que lutemos pelo nosso próprio aprimoramento moral, procurando nos modificar à luz daquilo que nos conforta e, no nosso caso, estudando com dedicação o Espiritismo, doutrina que, muitas vezes na vida, nos salvou de más decisões ou nos conduziu a melhores caminhos. Aprendamos a divulgá-la sem escandalizar, ou seja, sem iniciar conversas falando de reencarnação e obsessão, mas sim apresentando a filosofia consoladora encontrada nessa Doutrina.
Então sairemos pela porta e encontraremos pessoas por toda parte, desesperadamente necessitadas de algo que as conforte, que as ajude a tirar da cabeça a ideia de desistir, que as ajude a superar as provações da vida com fé inabalável e firme determinação. Quase sempre são pessoas difíceis, devido ao momento de crise em que vivem, e não seria uma caridade maior nos esforçarmos para ajudá-las, de forma persistente e fraterna, mesmo sabendo que muitas vezes teremos dificuldades nesse contato inicialmente difícil?
Acreditem, irmãos: fazemos uma caridade muito maior deixando para trás nossas imperfeições e espalhando confortos e percepções que podem mudar, para sempre, a direção de um Espírito, do que simplesmente doando uma “coisa”, que Ele usará e descartará, enquanto damos as costas a Ele e seguimos com nossas vidas, sem querer ir além. Afinal, qual é o sentido de doar um saco de arroz para alguém que pede na porta quando não somos caridosos nem mesmo com nossos próprios familiares ou com nossos subordinados no trabalho?