Psiquiatria e espírita

A psiquiatria é o campo da medicina que mais entra em conflito com a espírita. E é o campo em que os espíritas são mais ativos e bem-sucedidos. A razão é óbvia. A maioria dos psicopatas é simplesmente possuída; e o que está além da rotina nos psicopatas de origem psicológica, educacional, neurológica ou cerebral está igualmente infestado de espíritos inferiores. A esse respeito, não há dúvida para os espíritas praticantes e, especialmente, para os psiquiatras espiritualistas. Por essa razão, é grande o número de clínicas psiquiátricas espíritas no Brasil. Somente no estado de São Paulo, há trinta e cinco desses estabelecimentos em funcionamento, e vários outros estão planejados ou em construção.
A equipe médica desses centros nem sempre é espírita, mas geralmente é composta por uma maioria de médicos não espíritas. As autoridades oficiais colocam obstáculos ao tratamento médico não convencional nesses centros; mas os espíritas enfrentam todas as dificuldades e, além disso, continuam a construir novos hospitais porque sentem uma grande responsabilidade por esse problema, pois são os únicos que realmente o conhecem em sua maior profundidade. É sua tarefa fazer algo pelos milhões de vítimas que receberam tratamento inadequado, no todo ou em parte.
Esses hospitais formaram uma associação para lutar melhor por seus direitos e manter relações mais frequentes e eficazes entre si. Essa rede hospitalar especializada ajudou o governo estadual durante a crise do Juqueri (Hospital Franco da Rocha, na capital), participando da distribuição do número excessivo de pacientes que transformou o Juqueri no que as pessoas chamavam de caldeirão do diabo.
O Hospital Espírita de Amparo estava em construção quando um renomado médico e escritor publicou um artigo no jornal Ultima Hora se manifestando contra o projeto, alegando que os espíritas se interessavam pela causa por uma questão de consciência, pois produziam loucos e se sentiam obrigados a ajudá-los. Um jornalista e psicólogo espírita respondeu no Associated Newspapers que os espíritas estavam interessados na causa porque a medicina não podia curar os doentes mentais. O princípio espírita da caridade os obrigava a fazer isso. O hospital foi construído e outros logo se seguiram.
A calúnia de que os espíritas fazem loucos começou com as campanhas clericais e médicas contra a doutrina. Kardec abordou essa questão apontando o absurdo dessa acusação e lembrando que o mito do demônio produziu mais loucos no mundo ao longo dos séculos do que se pode imaginar. Ele ressaltou que o tratamento médico sempre se mostrou inadequado pela simples razão de que a ciência se recusava a reconhecer os sinais de possessão.
Ele se referiu à predisposição de certas pessoas à loucura, que levou à perda da razão em pessoas do mundo todo que se dedicam ao estudo da música, da matemática, da teologia ou de outras disciplinas culturais. Ainda mais porque, de acordo com o professor, há um certo grau de loucura em todos nós, que pode ser desencadeado por qualquer tipo de excitação. Como exemplo, ele citou os casos de possessão individual e coletiva que ocorrem com assustadora frequência em comunidades religiosas e afirmou que o espiritismo é a melhor e mais eficaz prevenção contra vários tipos de loucura.
Atualmente, está cientificamente comprovado que esse grau de loucura pode ser desencadeado pela excitação telepática, tanto por seres encarnados quanto por espíritos desencarnados. Há alguns anos, o médico psicanalista Jean Herenwald dedicou um livro a essa questão intitulado “Telepathy and Interpersonal Relations” (Telepatia e relações interpessoais), no qual ele cita casos impressionantes de sua própria clínica. Pesquisas americanas, britânicas, francesas e soviéticas forneceram provas irrefutáveis dessa realidade.
Whately Carrington, da Universidade de Cambridge, examinou os fatos em profundidade. A espírita não tem a intenção de combater a psiquiatria nem de negar suas realizações ou as da psicoterapia em geral, mas oferece claramente novas perspectivas a esse campo especializado de tratamento para avançar na pesquisa etiológica e curativa cientificamente comprovada. Ele revela aos psicoterapeutas a face oculta da realidade psicopatológica, assim como os astronautas mostraram aos astrônomos a face oculta da lua.
Os métodos de tratamento espírita provaram sua eficácia e continuam a fazê-lo diariamente em todo o mundo. A espírita oferece à psiquiatria uma contribuição teórica e prática abrangente que a psiquiatria não pode rejeitar com base em suposições e preconceitos de um passado há muito ultrapassado.