História do Espiritismo em Portugal

Para chegar ao Congresso Espírita de 1900, em Paris, pouco mais tinha que acontecer em Portugal, em relação com o Espiritismo – e isso aconteceu com o regresso ao norte do país, mais concretamente a Braga, os três irmãos Cunha (a referência que temos diz que eram irmãos, mas certamente não é de carne e osso, já que seus nomes eram todos diferentes) que, depois de emigrar para o Brasil, voltaram com a idéia de implantar no país o ensino que havia sido "descoberta" do continente brasileiro e que, finalmente, havia chegado a estas planícies da França.
Nesta cidade, na década de 1920 compraram a casa Castelos, nas encostas do Bom-Jesus, e fundaram o "Centro Espírita Luz e Caridade" (Centro Espírita Luz e Caridade) e a revista espírita de mesmo nome. Na revista espírita "Além", do Porto, de setembro/outubro de 1947, descreve-se a morte de Manuel Graça da seguinte forma: "o Fundador do Centro Espírita de Braga e da revista "Luz e Caridade", juntamente com Joaquim Rocha e Matias Cunha, continuador da obra e líder da primeira hora". Nos arquivos da Biblioteca de Leiria há referências a grupos de pessoas que se reuniam para manifestações espirituais, mesmo antes da época de Allan Kardec. (Informação dada oralmente em março de 2003 por Isabel Saraiva, responsável pela Associação Espírita de Leiria), e encontramos uma referência ao livro "RASGANDO AS TREVAS" na revista "o Espírita", outubro/novembro de 1923, psicografiado pelo grupo "Fé e Caridade", daquela cidade, e publicado pelo Centro Espírita de Leiria esse ano.
António Castanheira de Moura, em um artigo intitulado "Memória do Passado – 1926-1951", publicado na "Revista de Metapsicologia" da F. E. P., escreve que "o Dr. Sousa Couto iniciou suas atividades em 1898, representando Portugal no Congresso Espírita de Paris, de 1900, e, em seguida, em seu retorno ao país, dedicou-se com zelo à propaganda do Espiritismo, estudando e divulgando seus fenômenos.
No estrangeiro, onde esteve em contato com os cientistas da época e os acompanhou quando pesquisam os fenômenos psíquicos em Paris, ele forjou laços com as principais figuras do movimento espírita mundial da época, uma verdadeira escola que chamou a atenção do mundo materialista, dada a indiscutível valia dos nomes que encabeçavam o movimento." Mas não foram só os irmãos Cunha em Braga, não foi apenas o advogado de Sousa Couto, em Lisboa, Graças à proximidade de Portugal com a França, as pessoas que viajava lá, as notícias que chegavam de lá, as revistas sempre interessadas em falar e comentar temas que possam despertar o interesse de seus leitores, talvez até mesmo e, sobretudo, pela "fome" espiritual que havia em alguns e em outros cansados e desiludidos com a religião que conheciam, em Portugal se começou a falar de Espiritismo muito rapidamente e muito rapidamente.

Assim, em 22 de janeiro de 1903, o jornal "o Mundo", sob a direção do escritor "Ameri", iniciou um minicurso sobre o Espiritismo, em que se mencionava a Allan Kardec, Gabriel Delanne e outros. Outro jornal, a "Voz do Operário", publicou artigos de Delanne e se referiu a D. Douglas Home e outros espíritas da época... e todas essas notícias pareciam destinadas a abrir as mensagens que o médium Fernando de Lacerda, inspetor de polícia, começou a psicografiar, o primeiro dos quais (conhecido pelo público) veio do espírito Camilo Castelo Branco e que logo se tornou público.


Sousa Couto, o referido advogado espírita, figura respeitada na sociedade da época, publicou um estudo sobre a mediunidade do português Fernando de Lacerda, na revista "Estudos Psíquicos", que dirigiu de 1905 a 1909, quando teve que fechá-lo devido a uma grave doença. Vários jornais procuraram o advogado para perguntar-lhe sobre o novo tema, do que muitos queriam saber mais? E, pouco a pouco, graças a nomes de outras personalidades conhecidas que se declaram espíritas, a doutrina espírita se espalhando por todo o país, como se espalhando por todo o mundo...