A origem da doença

Em geral, para determinar a origem da doença, temos de levar em conta muitas nuances que dificultam uma resposta simples e breve. É como uma equação com muitas variáveis que interagem e que são difíceis de isolar:
- livre-arbítrio, que determina nossa atitude diante da adversidade;
- fatores bio-psico-psico-sócio-espirituais da presente encarnação;
- fatores bio-psico-sócio-espirituais de encarnações passadas;
- méritos alcançados por meio de boas obras;
- a misericórdia divina e a misericórdia de outros seres humanos;
- o grau de consciência ou desenvolvimento espiritual.
Vejamos isso por meio de um exemplo e, então, talvez seja mais fácil colocá-lo em perspectiva. Qualquer um de nós pode se perguntar: sou responsável pela lesão orgânica que danifica meu corpo? Eu a provoquei de alguma forma?
A Doutrina Espírita responde claramente que sim, pelo menos em parte: fatores mentais e ações deliberadas, que se não foram encontradas nesta encarnação serão encontradas em encarnações anteriores, predispuseram meu corpo a processos degenerativos que promoveram doenças; ações sobre mim e/ou sobre outros que transgrediram as leis divinas ou naturais que regem o Universo físico e moral. Por exemplo, o consumo de substâncias tóxicas, o consumo desproporcional de substâncias saudáveis, agressões físicas e psicológicas a nós mesmos ou a outros, etc.
Como todos sabemos, todo efeito gera uma causa, e os desvios têm consequências.
Os inúmeros fatores envolvidos em cada pessoa exigirão uma abordagem totalmente individual, pois as causas que levam duas pessoas a sofrer da mesma doença podem ser muito diferentes e não é possível dar a mesma explicação.
Toda doença antinatural (física ou psicológica) pode e deve ser considerada uma doença da alma”, nos diz Joana em uma obra chamada Plenitud, psicografada pelo querido Divaldo Franco,
“que ainda se apega às sensações e escolhe direções e ações que produzem desequilíbrio. Nessa fase, de interesses imediatos, todo um emaranhado de paixões primitivas impulsiona o ser na direção do gozo, sem a necessária ética e sentimento de escolha superior, e o lança nas principais áreas de conflito que geram a desarmonia das defesas orgânicas, que dão lugar à invasão de micróbios e vírus que destroem sua imunidade. Pode-se dizer que [esse] sofrimento não é imposto por Deus, constituindo a escolha de toda criatura”.
O mentor continua mais tarde na mesma obra:
“[Esse tipo de] doença é o resultado de um desequilíbrio energético do corpo devido à fragilidade do estado emocional do Espírito ativador. Vírus, bactérias e outros microorganismos não são responsáveis pela presença da doença (...). A conduta moral e mental dos homens, quando cultivam as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do ressentimento, do vício, impregna o organismo e o sistema nervoso de vibrações nocivas que bloqueiam as áreas de propagação da energia sadia, abrindo campo para a instalação da doença”.
Em suma, como diz Joana: “a raiz das doenças está no indivíduo, que deve se examinar, se conhecer para se libertar desse tipo de sofrimento”.
Até agora, vimos que, em grande parte, ficamos doentes por causa de desvios em nossa conduta moral. Mas não podemos nos esquecer das alterações naturais do organismo em sua interação com o ambiente.
Sabemos que há fatores inerentes à nossa condição material que não são de nossa inteira responsabilidade. A matéria se degrada naturalmente, o corpo, que é um instrumento material maravilhoso, sofrerá um desgaste completamente natural, que produzirá desequilíbrios e doenças, não importa o quanto cuidemos de nós mesmos. Ele não é imortal e eterno, ao contrário de nosso Espírito. Por exemplo, com a idade, os tecidos perdem elasticidade e força; perdemos células, que morrem pelo desgaste do Fluido Vital, comprometendo os órgãos dos sentidos, a qualidade e a quantidade de cabelos, alterações hormonais, neurais, esqueléticas etc.
Nesse caso, a causa das doenças decorrentes desses processos naturais está fora de nosso controle. Joanna de Ângelis, em Plenitude, nos explica que as doenças são inevitáveis na existência humana, devido à constituição molecular do corpo, aos fenômenos biológicos a que ele está sujeito em suas incessantes transformações. Somente os Espíritos Puros não sofrem desse tipo de enfermidades, pois não precisam reencarnar na matéria, como nos ensina Kardec na resposta à questão 226 de O Livro dos Espíritos.
De qualquer forma, Joana de Angelis nos consola respondendo à pergunta sobre qual é o sentido de estar doente. A doença e o sofrimento não são punições divinas, como algumas tradições mitológicas querem nos fazer acreditar, atribuindo o papel de vingança aos deuses do Olimpo:
“Assim como o cinzel age sobre a pedra bruta e a corta, as doenças são mecanismos de cinzelamento para que a alma desperte seu potencial e brilhe além do recipiente orgânico que a aprisiona”.
No livro The Integral Man (O Homem Integral) - e com isso terminamos - Joanna de Angelis explica isso:
“O sofrimento faz parte do mecanismo de evolução na Terra. Nos reinos vegetal e animal, ele é encontrado na percepção embrionária das plantas, que sofrem com as agressões e hostilidades ambientais, com a poluição e com os processos degenerativos. Entre os animais, desde os menos expressivos até os mais avançados biologicamente, o sofrimento se manifesta na sensibilidade nervosa, que serve para produzir novos e mais perfeitos biótipos, em constante adaptação e harmonia da psique latente neles”.
No Ser Humano, “o sofrimento é uma fonte motivadora das lutas de crescimento emocional e amadurecimento da personalidade, que passa a compreender a existência de forma menos sonhadora e mais de acordo com a realidade”. É por isso que a nossa missão, a missão da pessoa que, como qualquer um de nós, está passando por uma dificuldade, é persistir na busca da solução, custe o que custar, na aquisição desse ajuste com as Leis Divinas ou Naturais, em especial com a Lei do Amor e da Caridade. Podemos cair dez vezes, cem vezes, um milhão de vezes! Podemos cometer o mesmo erro várias vezes. Mas devemos sempre nos levantar e seguir em frente. Nunca desistir.