Humberto Mariotti

Humberto Mariotti nasceu em 11 de junho de 1905 na cidade de Zárate (às margens do rio Paraná), Buenos Aires, Argentina. Seus pais eram Nicolás Mariotti e Julia del Ré, imigrantes italianos da província de Bari, localizada na região peninsular da Itália, que, como muitos de seus compatriotas, dedicavam-se ao cultivo da terra e à criação de animais.
Era o segundo de cinco irmãos: Domingo, o mais velho; Olimpia, Amadeo e Maria (Maruca), que compartilhavam com ele as ideias da Doutrina Espírita. Eles formaram lares onde o estudo do espiritismo e as práticas mediúnicas foram desenvolvidos por vários de seus membros, já que Maria era esposa de Santiago A. Bossero, um ilustre escritor e orador. Foi também mãe de três filhos espíritas, relacionados com Antonio Melo, militante da Confederação Espírita Argentina e da Sociedad La Fraternidad através do casamento de sua filha Elma com Ernesto Melo, irmão de Antonio e membro da mesma instituição, e por último Amadeo que, sem ser participante ativo, publicou poemas em várias revistas espíritas, entre elas, Constancia, em várias ocasiões.
Com relação aos seus estudos, podemos dizer que ele estudou até a quarta série do ensino fundamental, já que, por motivos econômicos, seus pais tiveram que interromper seus estudos. Apesar disso, sua infância foi passada buscando avidamente o conhecimento e as invenções, tentando descobrir os mistérios da natureza selvagem que compõem os barrancos produzidos na terra pelas correntes contínuas das águas do rio Paraná e que eram uma constante em sua poesia íntima. Ali, naquele ambiente, sua mente, pronta para a aventura e amante do desconhecido, imaginou e organizou, com amigos de sua idade, um “exército libertador” semelhante ao do general Don José de San Martín (por quem tinha uma íntima admiração), e cujo líder, sem dúvida, era ele.
Como podemos ver, essas brincadeiras infantis já estavam moldando a personalidade futura de Mariotti como um militante ativo e dinâmico de um movimento progressista e avançado, como foi, é e será o Ideal Espírita.
Seu início no ativismo Espírita
E os anos foram passando... e em 1925, quando ele já tinha 18 anos, um evento transcendental ocorreu em sua vida. José Grillo, amigo íntimo da família e frequentador assíduo do Centro Espírita Luz, Caridade e Progresso, na Rua Gral. Paz, 310, Zárate, impressionado com a facilidade com que o jovem assimilava os temas de filosofia e metafísica, emprestou-lhe um livro. Mas esse não era como tantos outros, pois continha os princípios de uma doutrina que transcendia o limiar do humano para chegar ao Mundo do Espírito: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, publicado em Barcelona, na Espanha, em 1904, foi o exemplar que José Grillo emprestou a Humberto Mariotti. Lê-lo e “apaixonar-se” pelo seu conteúdo, pelas suas ideias, enfim, pela sua Doutrina, não foi por acaso; ele precisava conhecer aquele livro porque, a partir daquele dia, penetraria no realismo do Mundo Espiritual, do qual jamais se afastaria.
De sua existência terrena, apenas dezoito anos não foram vividos para a Doutrina Espírita, pois seus cinquenta e nove anos restantes foram dedicados com amor e interesse, através de livros, palestras, poemas, etc., à prática do Ideal que era o seu Tudo: o Espiritismo de Allan Kardec.
Em 1926, ainda em Zárate, e já familiarizado com o Espiritismo, em um febril impulso juvenil, escreveu em manuscrito duas páginas sobre temas espíritas, que intitulou Revista Amor y Estudio, informando a seus leitores que em breve apareceria impressa.
Por volta de 1929, a família mudou-se para a capital federal e ele estudou e trabalhou por alguns anos como médico veterinário no extinto Frigorífico Anglo de Avellaneda. Na mesma época, iniciou suas atividades doutrinárias na Sociedade Camilo Flammarion, onde conheceu Luis Di Cristóforo Postiglioni, também destacado militante Espírita. Anos mais tarde, ingressou na Sociedade Victor Hugo, onde realizou trabalhos mediúnicos e de pesquisa, etc.
Fatos fundamentais de sua atividade espírita
De 1º a 10 de setembro de 1934, juntamente com esse grande lutador Manuel S. Porteiro, compareceram como delegados da Argentina ao V Congresso Espírita Internacional realizado em Barcelona, na Espanha, onde apresentaram e defenderam ardorosamente o Relatório da Confederação Espírita Argentina, pois nele propunham, entre outros pontos, A Confederação Espírita Argentina propôs, entre outros pontos, “uma maior capacidade e compreensão sem preconceitos dos fenômenos e problemas sociais, que exigem dos Espíritas um maior conhecimento objetivo e uma atividade franca e determinada que oriente sua finalidade social e canalize a ação e a propaganda de acordo com a essência da moral Espírita, que Kardec condensou nestes três postulados: Liberdade, Igualdade e Fraternidade”: Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, etc. Tanto para Mariotti quanto para Porteiro, a participação nesse evento espírita internacional foi um fato relevante para suas futuras ações doutrinárias, pois puderam interagir com espíritas de renome mundial. Os dias vividos em Barcelona foram lembrados por ambos em muitas ocasiões, seja em seus escritos, seja em palestras de profundo sentimento.
Ele foi nomeado presidente da Confederação Espiritista Argentina em duas ocasiões, em 1936 e 1966. Durante sua primeira presidência, entre outros assuntos, ele enviou uma Carta Aberta ao Chefe de Polícia da Província de Buenos Aires, Sr. Casas Peralta, em relação a “práticas absurdas, como arte divinatória, charlatanismo, arranjos para casamentos, taxas para consultas”, etc., alertando que “a Confederação Espírita da Província de Buenos Aires deve ser informada dessas práticas”, A Confederação Espírita Argentina é uma instituição que agrupa mais de trinta sociedades legalmente constituídas e que zela pelo prestígio de uma doutrina superior, como é a Doutrina Espírita”. Esse era o temperamento de Mariotti desde muito jovem: um defensor apaixonado dos princípios e práticas autênticos das ideias kardecianas.
E sua militância espírita continuou, mas o amor também entrou em sua vida... Ela era membro da Federação Juvenil Espírita Argentina, uma jovem inquieta e empreendedora de nome Ana Huici, que por uma estranha “coincidência” era parente de Dona Aurora Gálvez, fundadora da Sociedade Victor Hugo. Por meio de sucessivos encontros em reuniões campestres, concertos e eventos culturais, revelaram-se afinidades e sentimentos que culminaram em sua união em 22 de dezembro de 1937. Dessa união nasceu sua única filha, Hebe Iris.
Esse lar, fundado no afeto, no companheirismo e, sobretudo, no amor à luz do Espiritismo, foi testemunha de inúmeras reuniões doutrinárias das quais surgiram e se organizaram assembleias e congressos espíritas e espiritualistas nacionais e internacionais, como a Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA); o Congresso Internacional para o Estudo da Reencarnação; o Movimento da Fraternidade Universal e muitos outros.
Humberto e Anita Mariotti viveram juntos por 45 anos, unidos pelo amor e pelo serviço que ambos prestavam ao Ideal, do qual nunca se afastaram. Ela foi a companheira constante de um homem que dedicou sua existência à difusão de uma doutrina e ele foi para ela o apoio espiritual de um ser ávido por ensinamentos e pensamentos que transcendiam o realismo material.
Mariotti morreu em 17 de maio de 1982 na Argentina.