Yvonne do Amaral Pereira

Nascida em 24 de dezembro de 1900 em Valença, Rio de Janeiro, Yvonne do Amaral Pereira foi uma costureira e médium brasileira, autora de vários livros sobre psicografia. Ela faleceu em 9 de março de 1984 (83 anos) no Rio de Janeiro. Yvonne do Amaral Pereira foi uma médium brasileira conhecida por sua importante carreira como médium.
Seu pai era um pequeno comerciante, Manoel José Pereira Filho, e sua mãe era Elizabeth do Amaral Pereira. Ele tinha cinco irmãos mais novos e um mais velho, filho do primeiro casamento de sua mãe. Pelo que lemos em seus próprios depoimentos no livro Recordações da Mediunidade - que foi escrito sob a assistência e supervisão do inesquecível Bezerra de Menezes – a infância de Yvonne Pereira foi realmente triste e dolorosa.
Quando eu tinha apenas 29 dias de vida, “durante um súbito ataque de tosse e asfixia, morri”.
Ele continua dizendo:
“Tudo indica que, em existência anterior, eu havia me afogado por suicídio, e que a asfixia, no primeiro mês do meu nascimento, foi apenas um dos muitos complexos que acompanham o espírito do suicida, mesmo quando reencarnado, reminiscências mentais e vibratórias que comumente o traumatizam por longos períodos. Durante seis horas consecutivas, permaneci rígido, com o corpo machucado, com a fisionomia macilenta e abatida de um cadáver, com os olhos encovados, o nariz pontiagudo, a boca serrilhada e o queixo endurecido, congelado, sem respiração nem pulso”.
O médico e o farmacêutico atestaram a morte por asfixia. O velório foi preparado. A suposta falecida foi vestida com uma coroa de flores e um vestido branco e azul. O pequeno caixão branco foi encomendado. A mãe se retirou para um quarto, onde fez uma oração sincera e fervorosa a Maria de Nazaré, pedindo que a situação fosse resolvida, pois não acreditava que a filha estivesse morta. Poucos momentos depois, a criança acordou chorando. Todos os preparativos foram desfeitos. O funeral foi cancelado e a vida continuou normalmente. Desde muito jovem, ela demonstrou grande talento para a mediunidade e, ao longo de sua vida, foi responsável por importantes mensagens e trabalhos psicográficos.
Aos 5 anos de idade, ele não apenas via, mas também conversava com os espíritos. Aos 10 anos, por ordem de seu pai, passou a frequentar sessões espíritas em casa e, aos 12 anos, recebeu os livros O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, que deveria ler todos os dias, o que fez, seguindo os conselhos de seu sempre bondoso pai. Aos 13 anos, começou a participar de sessões práticas, que ele adorava porque podia ver os espíritos que se comunicavam. Sua única escolaridade foi a escola primária. Por motivos financeiros, não pôde frequentar outros cursos, o que foi uma grande provação para ela, pois adorava estudar e ler, a ponto de, aos 16 anos, já ter lido obras de grandes autores, como Goethe, Bernardo Guimarães, José de Alencar, Alexandre Herculano e Arthur Conan Doyle. Desde cedo teve que trabalhar para se sustentar.
Quando adolescente, treinou em trabalhos domésticos: crochê, bordado, costura, renda, flores, pintura e outros trabalhos manuais. Ela mesma nos conta:
“Recebi uma educação patriarcal dura, longe da sociedade, sem viver no mundo, de preferência aplicada ao trabalho braçal, fato que, por um lado, foi prejudicial para mim, pois me tornei excessivamente tímida, triste, o que dificultou minha luta pela vida quando, após perder meus pais, tive que trabalhar para ganhar a vida em uma cidade como o Rio de Janeiro”.
Ao longo de sua vida, Yvonne desenvolveu sua mediunidade e se dedicou à psicografia de obras doutrinárias e espíritas. Suas mensagens transmitiam ensinamentos de amor, paz e evolução espiritual, e ela era muito respeitada no meio espiritista. Yvonne também foi autora de vários livros, nos quais relatou suas experiências mediúnicas e compartilhou seus conhecimentos sobre a vida após a morte.
Como já vimos, sua mediunidade surgiu nos primeiros dias de sua vida terrena, por meio do fenômeno da catalepsia, que se tornou um fenômeno regular em sua vida a partir dos 16 anos.
A maioria das histórias, romances, crônicas e contos do Além contados por Yvonne Pereira foi coletada no Mundo Espiritual por meio desse processo, no momento do sono reparador. Escreveu uma das maiores obras da mediunidade, Memórias de um Suicida, considerada um best-seller, com um conteúdo especial, revelando de forma verídica a Vida Espiritual daqueles que no Além percebem o grave erro que cometeram, o suicídio, no desejo delirante de se libertarem dos males ou dissabores da existência.
Sua mediunidade, no entanto, era diversificada. Era médium psicógrafa e receitista (homeopatia) assistida por entidades de grande elevação, como os já citados Bezerra de Menezes, Charles, Roberto de Canalejas e Bittencourt Sampaio. Praticava a incorporação e a mediunidade passiva. Tinha mediunidade de efeitos físicos e chegou a realizar algumas sessões de materialização, mas nunca se sentiu atraído por essa modalidade mediúnica. Suas sessões preferidas eram as de desdobramento, incorporação e prescrições. Yvonne Pereira sempre seguiu as orientações dos livros básicos da Codificação e também os conselhos de seus guias. Entre seus mentores encarnados, destaca-se o notável espiritista de Barra Mansa, Zico Horta, que a instruiu no início de sua mediunidade. E foi por meio desse trabalho, realizado ininterruptamente, que ela praticou o receituário e os passes de cura durante 54 anos e meio.
Sobre sua visão do espiritismo e da mediunidade, ele afirma:
“Sempre fui um espiritista e médium muito independente. Nunca permiti que a direção dos centros onde trabalhei controlasse ou burocratizasse minhas faculdades mediúnicas. Consagrei-as aos serviços de Jesus e obedeci somente à Igreja do Alto, sem reservas, utilizando-as para exercer a caridade a qualquer dia e a qualquer hora em que os sofredores me procurassem. Para isso, estudei profundamente a Doutrina, a fim de conhecer o terreno em que estava pisando e manter minha independência em bases sólidas. No entanto, cumpria rigorosamente os critérios e horários estabelecidos pelos poucos centros onde atendia, mas nunca me submeti à burocracia mantida por alguns. Se não me era permitido atender os necessitados no centro, por este ou aquele motivo, em determinados dias, eu os atendia em outro local, em minha casa ou na deles, e assim consegui importantes curas, pois aprendi com o Evangelho e a Doutrina Espírita que não há hora nem dia para fazer o bem” (O REFORMADOR, 1992).
Yvonne Pereira trabalhou como médium de 1926 a 1980, quando um derrame a impediu de exercer sua profissão. Sempre humilde, carinhosa e vivaz, morava em uma grande casa em Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro, na companhia de sua irmã casada, Amália Pereira Lourenço, também espiritista. Na noite de 9 de março de 1984, ela morreu de trombose durante uma operação cirúrgica a que havia sido submetida no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Inhaúma. Tinha 83 anos e permaneceu solteira, cumprindo dignamente o mandato mediúnico que exercia com amor e total dedicação ao próximo.
Conclusão
Ao longo de sua carreira como médium, Yvonne enfrentou desafios e críticas, mas nunca perdeu a fé e a determinação em sua missão Espírita. Sua bondade e sabedoria inspiraram muitos seguidores, que continuam a reverenciar sua memória e seu legado até hoje.
Yvonne do Amaral Pereira deixou um importante legado para o Espiritismo e para a Humanidade, demonstrando que a mediunidade pode ser uma poderosa ferramenta para o bem e para a evolução espiritual. Sua história nos lembra da importância de cultivarmos nossa conexão com o Mundo Espírita e de buscarmos sempre a luz e o amor em tudo o que fazemos. Que a jornada mediúnica de Yvonne continue a nos inspirar e a nos guiar rumo a uma vida mais feliz e significativa.