As cidades espirituais

Uma das preocupações mais polêmicas que afetam os seres humanos, e que se coloca freqüentemente é onde vamos quando morremos? É um enigma milenar, uma vez que a morte ainda bate os sentimentos e é motivo de tortura para a inteligência.
Hermes Trimegisto em "O KYBALION", o documento do Século XIX, que resume os ensinamentos do hermetismo, afirmava "como é em cima, é em baixo; como é embaixo é em cima" e que este princípio se manifesta em três Grandes Planos: o Físico, o Mental e o Espiritual.
Ao longo da história da humanidade todas as escolas religiosas e filosóficas contribuíram para uma visão em relação com o seu conhecimento, mas temos de destacar que O Espiritismo deu início a inestimável trabalho de demonstrar a continuidade da vida além da morte, fenômeno natural do caminho da evolução. Múltiplas esferas da atividade espiritual têm seu complemento nos diversos setores da existência. As dimensões vibratórias do universo são infinitas, como infinitos são os mundos que povoam a imensidade.
Ninguém morre. As Colônias Espirituais se espalham sobre toda a superfície do Planeta, construídas sob os mais variados motivos de seus fundadores.
Muitas pessoas se despedem do mundo carnal, sem obstáculos e sem incidentes desagradáveis, outras dormem enormes sonhos e outras não recebem nada por inconsciência infantil que está em suas expressões.
Entre esses estados extremos, há vários graus intermediários que permitem que os espíritos agrupar-se e constituir verdadeiras sociedades espirituais. A comunidade de idéias e de sentimentos, a identidade de gostos, de opiniões e de aspirações atraem e se ligam a essas almas que formam grandes famílias.
A vida do Espírito avançado é essencialmente ativa, embora sem cansaço. As distâncias não existem para ele. Desloca-Se com a rapidez do pensamento. Sua bainha, é semelhante a um vapor leve que adquiriu a liberdade que é invisível para os Espíritos inferiores. Vê, ouve, percebe-se, não já com os órgãos materiais, que se interpõem entre a Natureza e nós e interceptam a passagem para a maior parte das sensações. Fica livre de todas as necessidades do corpo. A alimentação e o sono não tem para ele nenhuma razão de ser. Ao abandonar a Terra, deixa para sempre os vãos cuidados, todas as fantasias que envenenam a existência terrena. Não precisam da palavra para se entenderem. O Espírito pode sair da Colônia, porque ele não se mantém preso nela. Sempre que você está autorizado ou acompanhado, você poderá visitar a família.
Os Espíritos inferiores, no entanto, levam consigo, além-túmulo, seus costumes, suas necessidades, suas preocupações materiais. Não podendo elevar-se acima da atmosfera terrestre, voltam a participar da vida dos humanos, a intervir em suas lutas, em seus trabalhos e em seus prazeres. As suas paixões e seus apetites, sempre vivos, lhes oprimem, sobreexcitados pelo contínuo contato com a humanidade e a impossibilidade de o fazer significa para eles uma causa de tortura. Muitos dos libertados da bainha física, conservam tão forte afinidade com os interesses terrenos, que a vista não se lhes altera, de repente, e continuam vivendo na Terra com as mesmas expressões com que a deixaram. Se é fácil deixar o veículo físico, é muito difícil abandonar a velha morada do mundo. Os fios morais são muito mais fortes do que os laços da carne.
Mais, nem todos os seres com algum esclarecimento, ao desencarnar na Terra vão para essas Colônias. Muitos vão para outros planetas.
Após a morte, antes que o espírito possa se orientar, gravitando para o verdadeiro "lar espiritual" que lhe cabe, será sempre necessário que permaneça em uma "antecâmara", numa região cuja densidade e aflitivas configurações, no local, corresponderão aos estados vibratórios e mentais do recém-desencarnado. Vai parar por aí, até que seja naturalmente "des animalizado", ou seja, até que se desfaça dos fluidos e forças vitais de que se acham impregnados todos os corpos materiais. Compreende-Se que a estadia no limiar do "Mais Além", será temporária, embora geralmente dolorosa. De acordo tenha sido o caráter, as ações praticadas, o gênero de vida e o gênero de morte que teve a entidade desencarnada, tal será o tempo e as penalidades que lhe esperam no local descrito. Existem espíritos que apenas se demoram algumas horas, outros permanecerão por meses ou anos consecutivos, voltando à reencarnação sem atingirem a Espiritualidade.
Além disso, fazemos notar que a sociedade do além da morte, reflete os hábitos que apegó no mundo terreno, pelo que os desencarnados de uma cidade asiática não encontram-se repentinamente com os costumes e edificações de uma cidade ocidental e vice-versa.
Conhecemos algumas das mais próximas à Terra. Os quartos dispõem de ruas, jardins, fontes, hospitais, casas, meios de transporte, escolas, ministérios, etc., Existem as mesmas Leis da gravitação que controlam a Terra, com seus dias e suas noites, mas as estações não tiverem os rigores que, em nosso globo, já que são suprimidos pelos fatores de harmonia existentes nas Colônias. E isto ocorre, porque a maioria das Colônias que conhecemos estão circunscritas à atmosfera da Terra.
Allan Kardec, o inesquecível Codificador, refere-se em várias oportunidades, em sua obra, erraticidad, estado em que se encontra um número considerável de seres humanos desencarnados à espera de uma nova reencarnação.
A descrição das diversas Colônias Espirituais e seus ambientes é muito mais do que hoje nos é desconhecido, o que o conhecido.
Os seres do espaço, através de diversas mediumnidades, vieram descerrando o véu que nos oculta a vida futura, através de uma série notabilísima de obras mediumnicas, que abriram a cortina, permitindo ir conhecendo como se desenvolve a vida das almas nas esferas espirituais que circundam o planeta Terra. Entre todas elas destacamos:
A "Colônia são Francisco de Moradia", uma das mais antigas, que está dedicada ao atendimento da população no Limiar.
A "Colônia Campo da Paz", da qual fala o Espírito André Luíz em "Os Mensageiros", está situada muito perto da Terra.
"A Casa Transitória de Fabiano", é de assistência aos desencarnados, citada no livro "Obreiros da Vida Eterna".
A "Colônia redenção", citada no livro "além da Morte", descrita por Otilio Gonsalves, a "Colônia da Música", a "Colônia dos Escritores", a "Colônia Gordemonio", habitada por Espíritos pervertidos e malfeitores, e citada no livro "Apenas uma sombra de mulher", etc.
NOSSO LAR é uma colônia transitória consagrada ao trabalho e ao socorro espiritual. Possui atualmente mais de um milhão de habitantes.
ALPHA 1, é uma gigantesca cidade espiritual, situada na região norte da Europa, acolhe, cientistas, estudiosos e pesquisadores que, um dia, habitaram nosso planeta, e hoje ali se reúnem, continuando os seus estudos, aprofundando teorias, com a finalidade de suprir os futuros avanços em seus subseqüentes reencarnações na Terra, lhes permitirão trazer, sob a forma de descobertas científicas, novos degraus para a evolução da tecnologia do Homem.
Outra colônia muito conhecida e muito bem detalhada, e que dirige Cairbar Schutel é a de "Alborada Nova", que fica na quarta camada ao redor da Terra, acima da cidade de Santos no estado de São Paulo (Brasil). É uma cidade espiritual com cerca de 200.000 habitantes, criada há mais tempo que o da maioria das colônias que permanecem nas zonas umbralinas.
A médium brasileira Vania Arantes Damo, nascida em Mote Alegre de Minas Gerais, nos relata em seu livro "MORADAS ESPIRITUAIS", a sua experiência, que graças à orientação e acompanhamento do Espírito de Joana Darque, durante o sono e com o apoio de guias espirituais viajou no espaço em estado consciente. Algumas dessas colônias se descrevem, com detalhes, dando uma nova perspectiva do mundo espiritual.
Destacamos entre as vinte colônias que encontro no livro, a "Colônia Morada do Sol", que se localiza na parte leste do Brasil, estendendo-se desde o norte da Bahia, próximo a Altamira, atravessa Sergipe, passando por Aracaju, segue por Alagoas, por Maceló, indo até o Norte de Pernambuco, na ilha de Itamaracá. É uma colônia muito pedida por sua beleza e por proporcionar o fortalecimento espiritual. A presença do mar confere serenidade ao ambiente, contribuindo para o fortalecimento de energias que revitalizam o espírito em sua peregrinação evolutiva.
Existem certas semelhanças entre as Cidades Espirituais vizinhas da Terra, e as encontramos, desde as comunicações de Swedenborg, passando por Andrew Jackson Davis, o Reverendo George Vale Owen, Raymond Lodge, Lester Coltman, André Luiz, o Espírito Gregório, que nos falou de Alpha 1, e Abel Glaser que recebeu os relatórios de Cairbar Schutel, e Vania Arantes Damo, que nos detalhando os pontos de acesso que correspondem entre todas elas.
Artigo escrito por Juan Miguel Fernández