Diferentes categorias de mundos habitados
Do livro: O Evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec

A partir do ensinamento dado pelos espíritos, parece que, no que diz respeito ao grau de avanço ou inferioridade de seus habitantes, os vários mundos estão em condições muito diferentes uns dos outros. Assim, entre eles, há aqueles cujos habitantes são ainda mais inferiores do que os da Terra, física e moralmente. Outros estão na mesma categoria que a nossa; outros ainda são mais ou menos superiores em todos os aspectos. Nos mundos inferiores, a existência é inteiramente material, as paixões reinam supremas e a vida moral é quase nula. À medida que se desenvolve, a influência da matéria diminui, a tal ponto que, nos mundos mais avançados, a vida é, por assim dizer, absolutamente espiritual.
Nos mundos intermediários, há uma combinação do bem e do mal, com predominância de um ou de outro, de acordo com o grau de avanço daqueles que os habitam. Embora não seja possível fazer uma classificação absoluta dos vários mundos, é possível, de acordo com seu estado e destino, e com base nas nuances mais salientes, dividi-los amplamente da seguinte forma mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiações e provas, onde predomina o mal; mundos de regeneração, onde as almas que ainda não se expiaram adquirem novas forças e descansam das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem prevalece sobre o mal; mundos celestiais ou divinos, morada de espíritos purificados, onde o bem reina supremo. A Terra pertence à categoria de mundos de expiação e provação, e é por isso que o homem está exposto a tanta miséria nela.
Os Espíritos que encarnam em um mundo não estão sujeitos a ele indefinidamente, nem cumprem ali todas as etapas de progresso que devem percorrer para alcançar a perfeição. Quando atingem o grau de adiantamento que esse mundo permite, passam a outro mundo mais avançado, e assim por diante, até atingirem o estado de espíritos puros. Esses mundos são como muitas estações, em cada uma das quais eles encontram elementos de progresso proporcionais ao seu avanço. Passar para um mundo de ordem superior é para eles uma recompensa, assim como é um castigo prolongar sua permanência em um mundo miserável ou ser relegado a um mundo ainda mais infeliz do que aquele que são obrigados a deixar quando se obstinam no mal.