Anna Prado – o primeiro médium de efeitos físicos no Brasil

Médium brasileira, pioneira na mediunidade de efeitos físicos, muito famosa em sua época, não apenas no Brasil, mas também internacionalmente. Nasceu e viveu em Belém, capital do Estado do Pará, no Nordeste brasileiro. Era casada com Eurípedes Prado, que a ajudava em seu trabalho com amor e respeito. Teve vários filhos.
Ana produziu fenômenos de materializações, apports, fotografias, movimentos de objetos, escrita direta e outros fenômenos incríveis.
Suas reuniões eram frequentadas pelos homens mais brilhantes da época, início do século XX, políticos, filósofos, médicos, psiquiatras, advogados, juízes, etc., que atestavam a autenticidade dos fenômenos produzidos por ele. Podemos citar várias materializações não apenas de flores, mãos e pés, mas de corpos inteiros. Talvez o caso mais famoso de materialização tenha sido o de Raquel Figner, jovem filha do famoso Federico Figner, homem rico e poderoso, espírita atuante e amigo pessoal de Chico Xavier, que introduziu a lâmpada elétrica no Brasil e era proprietário da Casa Edison, no Rio de Janeiro, então capital do país. Esse fato foi amplamente documentado na época pela imprensa.
A jovem se materializou em várias ocasiões, caminhando, falando e acariciando seus amorosos pais. Muitos anos depois, do mundo espiritual, Federico Figner, por meio da mediunidade de Chico Xavier, relatou esse encontro no livro “Volví”.
Ana também produziu efeitos de “apport”, ou seja, a transferência de objetos de fora da sala totalmente fechada para o meio da sala de reunião. Em várias ocasiões, ela trouxe flores de diferentes regiões do país, que simplesmente apareceram na mesa para a surpresa de todos.
Diferentes objetos materializados, como flores, mãos, pés e outros, foram mantidos em parafina e agora fazem parte de um museu.
O fenômeno da escrita direta fascinava a todos. Muitos anos depois, Chico Xavier também desenvolveu, entre todos os seus efeitos físicos, o da escrita direta. Lembremos que se trata de colocar uma folha de papel dentro de uma caixa fechada e, obviamente, cuidadosamente controlada, onde aparecerão escritas uma ou mais frases, sem lápis ou médium escrevente. Ela é escrita diretamente pelo espírito comunicante, por sua vontade e com a colaboração da energia vital e especial do médium. As testemunhas importantes dessas reuniões atestaram que não sabiam como esses efeitos eram produzidos, mas que eram absolutamente verdadeiros. Várias delas escreveram artigos e livros sobre o assunto.
Ana foi colocada dentro de uma gaiola para melhor controle dos experimentos e os espíritos se materializaram, graças ao seu ectoplasma e à sua capacidade para esses efeitos mediúnicos físicos.
O respeitado pesquisador espírita francês Gabriel Delanne registrou os eventos produzidos por Ana Prado, em seu livro “Reincarnation”, bem como na “Revue metaphysique” de Paris, nos anos de 1922 e 1923.
Entre outras coisas, Ana foi a melhor colaboradora do escritor Raymundo Nogueira de Faria em sua obra “A obra dos mortos”.
Naturalmente, ao mesmo tempo em que Anne era visitada pelos homens mais brilhantes da época e admirada, ela também era perseguida e ofendida por outros. Entre esses inimigos estava um padre francês, o padre Florentius Dubois, que escreveu artigos nos jornais da cidade, ridicularizando e ofendendo a médium. Ele era um inimigo ferrenho do Espiritismo. Ele tentou participar dessas reuniões, mas nunca foi aceito.
A maioria desses incríveis fenômenos de efeitos físicos ocorreu entre 1918 e 1921. Obviamente, eles contribuíram de forma muito importante para a disseminação do Espiritismo no Brasil e no mundo.
Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente em trazer à memória esse maravilhoso e aparentemente esquecido médium brasileiro, precursor dos famosos fenômenos de efeitos físicos que abalaram o mundo. Foram tempos em que o mundo espiritual incentivou essas incríveis demonstrações de efeitos físicos, sem qualquer compreensão científica de como eram produzidos, com o objetivo claro de despertar consciências adormecidas para a Espiritualidade Superior. Após alguns anos de muita movimentação fenomenal, foi decidido no Plano Maior que, a partir de então, esse despertar deveria ser feito por meio de livros, reuniões e da conscientização da necessidade e urgência de nos modificarmos moralmente, praticando a tão falada “reforma íntima”, promovida por Allan Kardec, por intermédio dos Espíritos Superiores.
Ata da sessão mediúnica realizada na residência dos Srs. Euripedes e Ana Prado, em 14 de junho de 1920 (Anuário Espírita de 1965) Resumida e traduzida por Etel Schulte.
Às 8 ½ horas da noite do dia 14 de junho de 1920, na rua dos Tomoios, número 43, na cidade de Belém do Pará, Brasil, onde reside o sr. Eurípedes Prado, estando presentes: (nomeia as autoridades), entre elas: sr. Kouma Horigoutchy, Ministro do Japão junto ao Governo Brasileiro, Dr. Justo Chermont, Senador Federal e esposa, Dr. Virgilio Mendoça, Senador Estadual, Dr. Amazonas de Figuereido, Professor da Faculdade de Direito do Estado, Dr. Napoleão de Oliveira, Chefe do Departamento Jurídico do Estado, Dr. Napoleão de Oliveira, Chefe do Departamento Jurídico do Estado, e Dr. Napoleão de Oliveira, Chefe do Departamento Jurídico do Estado. Napoleão de Oliveira, chefe de polícia, o Sr. Santiago, membro do Tribunal de Justiça do Estado, o professor Eltare Bosio, o capitão Pedro Borges, assistente do governador, o Dr. Nogueira de Faría, 1º prefeito da capital (que mais tarde escreveria um livro relatando as sessões de materialização que seria publicado pela FEB um ano depois), o Sr. Antonio Martins Pinheiro, intendente de Belém e alguns outros, bem como membros da família Prado.
O trabalho começou. No canto esquerdo da varanda-terraço, foi instalado um tipo de armário, forrado com uma lona preta e montado à vista de todos. As cortinas do lado direito do gabinete e da frente foram deixadas penduradas. Dentro desse gabinete, que chamaremos de “gabinete mediúnico”, foi colocada uma gaiola, previamente inspecionada pelos assistentes, e um forte cordão de fio de algodão foi passado em torno dela como controle, que foi lacrado. Após receber a médium (Ana), essa gaiola foi trancada com cadeado na presença dos três... (ela nomeia todos), alguns dos quais estavam presenciando o fato pela primeira vez. Na frente do gabinete foram colocados dois baldes, um com água fria e outro com parafina derretida, em uma temperatura bastante alta.
A luz foi reduzida e o terraço foi iluminado por uma lâmpada elétrica, que proporcionava boa luminosidade. Atrás da fileira de assistentes, na direção do gabinete mediúnico, funcionava um ventilador. Antes de iniciar os trabalhos, o Sr. Eurípedes Prado recebeu uma mensagem triptológica, na qual o Espírito dizia que estava tudo bem e informava ao Sr. Virgílio Mendoça que em algum momento ele poderia se aproximar da gaiola, o que aconteceu pouco tempo depois. Pediu que ele convidasse alguém que estava lá pela primeira vez para se aproximar da gaiola também. Eles escolheram o japonês Kouma. Ambos viram o espírito materializado dentro da gaiola ao lado do médium.
Cerca de 20 minutos depois, o “Espírito John” saiu do armário, vestido de preto, com calça e paletó, e usando um capuz branco. Ele estava descalço. Ele apertou a mão do Sr. Mendoça e do ministro japonês. Ele andou e olhou ao redor da sala, exibindo-se naturalmente para todos. Depois foi até a parafina, mostrando sua mão coberta de cera, que foi tocada pelos três. Martins, Chermont e Mendoça.
Depois que o molde foi feito, o Espírito John o entregou ao Sr. Kouma. Ele continuou a se movimentar pelo local e fez outro molde. Várias das pessoas presentes pediram que ele trouxesse Anita, um espírito feminino que já havia aparecido em várias ocasiões. John foi até o armário e, pouco depois, apareceu uma jovem de cerca de 14 ou 16 anos, vestida com blusa e saia brancas e cabelos longos e esvoaçantes. A garota se ajoelhou, orou, levantou-se, andou e se movimentou livremente entre os presentes. Ela permaneceu assim por cerca de um quarto de hora. Ela pegou o leque das mãos da Sra. Bastos e foi abanar o Sr. Kouma, que parecia merecer as honras da noite. Quando o leque foi devolvido a ele, estava ligeiramente úmido no cabo. A jovem estava tão bem materializada que causou muito espanto, pois parecia de carne e osso. Depois de mais algumas voltas, ela se retirou para o armário e desapareceu. A sessão parecia ter terminado quando John reapareceu, dessa vez, vestido com uma túnica branca. Ele se ajoelhou e orou. Ele se aproximou do público mais duas vezes e depois foi para o armário. Alguns minutos depois, ele podia ser ouvido perfeitamente acordando o médium. Antes de terminar o trabalho, ele ainda cumprimentou o público com uma espécie de lenço.
Quando a sessão terminou, o médium acordou, a luz foi acesa e a gaiola foi examinada pelos assistentes. O lacre e o cadeado estavam intactos. Quando a médium foi retirada, o ministro japonês entrou na gaiola e examinou o cadeado, a resistência das barras e tudo o mais que pôde. Tudo estava em perfeitas condições. Os presentes ficaram mais do que surpresos.
Aqui termina este registro de uma sessão de materialização realizada por nossa Ana Prado em 1929. Um fato importante na história do Espiritismo.